Carregador DC

Eletroposto: quanto custa montar e quanto rende um ponto de recarga DC

CAPEX, OPEX, tarifa por kWh e taxa de utilização: os números reais para avaliar o investimento em um eletroposto DC no Brasil, sem promessas milagrosas.

02 de setembro de 2026
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Um mercado em formação — e uma conta que precisa fechar

A frota eletrificada brasileira cresce ano após ano, e a infraestrutura pública de recarga ainda não acompanha a demanda em corredores rodoviários e centros urbanos. Para postos de combustível, restaurantes de estrada, shoppings e empreendedores, o eletroposto é uma oportunidade real — desde que a conta seja feita com números honestos. É o que faremos aqui.

CAPEX: o investimento inicial

1. O carregador (o maior item)

| Equipamento | Perfil de uso | Investimento | |-------------|---------------|--------------| | DC Wallbox 30 kW | Destino: restaurantes, hotéis, comércio | ~R$ 35.000 | | DC Dual 40 kW (2 veículos) | Urbano: frotas, estacionamentos | ~R$ 46.000 | | DC MAX 80 kW | Rodovia leve / hub urbano | ~R$ 79.000 | | DC MAX 160 kW | Corredor rodoviário | ~R$ 149.000 |

2. Infraestrutura elétrica e obra civil

Aqui mora a maior variação entre projetos:

  • Projeto elétrico com ART e aprovação na concessionária: R$ 5.000 – R$ 20.000
  • Adequação da entrada de energia / cabine ou transformador (necessário tipicamente acima de 75 kW ou conforme a demanda local): R$ 40.000 – R$ 150.000+
  • Obra civil (base, cobertura, sinalização, vagas, proteção mecânica): R$ 10.000 – R$ 50.000

Regra prática: some 40% a 100% do valor do carregador para infraestrutura, dependendo da potência e da distância da rede.

Investimento total típico

  • Ponto de destino 30 kW: R$ 55.000 – R$ 90.000
  • Hub urbano 80 kW: R$ 130.000 – R$ 220.000
  • Ponto rodoviário 160 kW: R$ 250.000 – R$ 400.000

OPEX: os custos de operar

  1. Energia: a maior despesa recorrente. Em tarifa comercial, o kWh com impostos e demanda contratada costuma sair entre R$ 0,60 e R$ 1,00.
  2. Demanda contratada: carregadores DC exigem contratação de demanda junto à concessionária — custo fixo mensal mesmo sem uso.
  3. Plataforma de gestão (OCPP/CPMS): cobrança, monitoramento remoto e app — tipicamente mensalidade por ponto ou percentual da receita.
  4. Manutenção: preventiva e corretiva; reserve 3% a 5% do CAPEX ao ano.
  5. Taxas de meios de pagamento e, conforme o modelo, rateio com o dono do terreno.

Receita: a matemática do kWh

A tarifa praticada em recarga rápida DC no Brasil fica em geral entre R$ 2,00 e R$ 3,50 por kWh. A margem bruta por kWh vendido, portanto, ronda R$ 1,20 a R$ 2,50.

O fator decisivo não é a tarifa — é a taxa de utilização:

| Utilização diária (80 kW) | kWh/dia | Receita mensal (R$ 2,80/kWh) | Margem bruta mensal* | |---------------------------|---------|------------------------------|----------------------| | 2 sessões (~1h30 de uso) | ~100 kWh | ~R$ 8.400 | ~R$ 5.400 | | 5 sessões (~4h de uso) | ~250 kWh | ~R$ 21.000 | ~R$ 13.500 | | 10 sessões (~8h de uso) | ~500 kWh | ~R$ 42.000 | ~R$ 27.000 |

*Antes de demanda, plataforma, manutenção e impostos. Números ilustrativos.

Com utilização baixa (1–2 sessões/dia), o payback pode passar de 5 anos; com utilização média-alta em ponto bem localizado, cai para 2 a 4 anos. Localização — fluxo de EVs, visibilidade em app, distância de outros eletropostos — vale mais do que potência.

Modelos de negócio

  • Proprietário-operador: você investe e opera; fica com toda a margem e todo o risco.
  • Parceria com rede de recarga: a rede entra com equipamento e operação, você com o ponto; a receita é dividida.
  • Recarga como atração: o carregador atrai clientes que consomem no seu negócio principal (restaurante, loja de conveniência) — o retorno indireto muitas vezes supera a margem do kWh.
  • Frota própria + venda ao público: o carregador serve sua operação e vende o tempo ocioso.

Dica ChargerBR: comece pelo estudo de demanda, não pelo equipamento. Conte os EVs que já passam pelo seu ponto, verifique a rede elétrica disponível com a concessionária e escolha a potência pelo perfil de parada do cliente: quem almoça aceita 30–40 kW; quem só quer seguir viagem exige 80–160 kW.

Conclusão

Montar um eletroposto DC no Brasil exige entre R$ 55 mil e R$ 400 mil, e o retorno depende quase inteiramente de localização e utilização. É um negócio viável — cada vez mais — para quem faz a conta completa: CAPEX, demanda contratada, OPEX e uma projeção conservadora de sessões diárias.

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